segunda-feira, 11 de junho de 2012

Resumo de gestão 1 AP2





Aula 5 - Para que se estabeleça a relação entre a qualidade e a participação no ensino é necessário sair da esfera da competência, para a esfera participativa, que inclui os gestores, pais, alunos e funcionários da escola.

A autonomia da escola tem seu potencial criativo pouco exercitado devido as decisões centralizadas e tradicionais.

      A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 205, afirma que a educação deve ser promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. E reafirma no artigo 206 a gestão democrática como princípio orientador do ensino público.

Art. 17 da LDB, afirma que “Os sistemas de ensino assegurarão às unidades de ensino públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observados as normas gerais de direito financeiro publico”.

Art. 14 da LDB, afirma que os sistemas de ensino definirão as normas da democracia do ensino public na educação básica de acordo com as suas peculiaridades, conforme os seguintes principios:
I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola;
II – participação das comunidades escolar e local em con­selhos escolares ou equivalentes.

A participação no processo educacional é condição essencial para uma vivência democrática, e para o exercício pleno da autonomia, o que impõe desafios constantes para todos, muitas vezes tornando a desejada participação um objetivo difícil de ser alcançado. Esses desafios são tão grandes e tão constantes que, por vezes, a almejada participação torna-se mera utopia.

 Desde o Manifesto dos Pioneiros da Educação de 1932, já temos clara a preocupação com a democratização da escola e com a necessidade de participação coletiva na construção de uma escola moderna e de uma sociedade mais justa.

Mousquer, Pereira e Huber (1998), referindo-se à autonomia da escola, afirmam ser esta uma conquista contínua. Para os autores, no co­tidiano das escolas não há incentivos para o exercício da autonomia nem para processos de gestão democrática. Com isso, não há o desenvolvimento de líderes autônomos e a desejada autonomia não passa de heteronomia.

Utopia
Segundo o Dicio­nário Houaiss, podemos definir utopia como: 1. Qualquer des­crição imaginativa de uma sociedade ideal, fundamen­tada em leis justas e em instituições político-econômi­cas verdadeiramen­te comprometidas com o bem-estar da coletividade; projeto de natureza irrealizável, idéia generosa, porém impraticável, quimera, fantasia (HOUAISS, 2001).

Heteronomia
Sujeição a uma lei exterior ou à vontade de outrem; ausência de autonomia. 2. Segundo Kant, sujeição da vontade humana a impulsos passionais, incli­nações afetivas ou quaisquer outras determinações que não pertençam ao âmbito da legisla­ção estabelecida pela.
 
Concluindo, podemos afirmar que qualquer proposta inovadora referente a políticas educacionais somente terá êxito se o gestor e os mem­bros internos da escola estiverem efetivamente envolvidos no processo. Em se tratando de uma instituição como a escola, locus privilegiado de formação humana, a busca pela democracia pressupõe tarefas como desenvolver nos educandos uma cultura participativa, valores éticos de solidariedade e atitudes coletivas na resolução dos problemas.

 É necessário aliar qualidade educacional com qualidade social, como recomenda Gentili (1998). Tendo no centro do processo a preocupação com o ser humano e o desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária, composta de sujeitos autoconfiantes e felizes, o futuro da educação será mais profícuo.
Conclusão
Falamos de mudanças necessárias, que envolvem pessoas comprometidas com a instituição e competentes técnica e cientificamente. O exercício da autonomia e do planejamento participativo na escola exige mudança de comportamento e comunicação clara e aberta entre todos os componentes das comunidades escolar e local. Gestores educacionais do sistema e das escolas precisam desenvolver habilidades em planejamento, identificação e resolução de problemas, de modo participativo, em gestão financeira, em liderança democrática, currículo e relações interpessoais.

As escolas públicas devem planejar, a partir de sua realidade, integrando questões administrativas e financeiras com currículo e demais preocupações político-pedagógicas. É necessário, mas não é suficiente, que a legislação vigente permita a prática da gestão participativa e da autonomia. A escola e sua equipe devem estar preparadas para ocupar esse espaço com compromisso, competência humana, teórica, técnica e política. A consolidação de uma gestão escolar de cunho democrático-participativo requer competência cognitiva e afetiva, respaldada na internalização de  valores, hábitos, atitudes e conhecimentos. Para o desenvolvimento de atitudes coletivas é importante cultivar o espírito de coesão, a partir da formação da equipe escolar, em torno de objetivos comuns.

Aula 6 - Vivemos, na década de 1990, políticas globalizantes com relação à importância da consolidação de uma gestão educacional descentralizada com seu foco voltado para a escola. Para que possamos viver um processo de correspon­sabilidade participativa é importante que a comunidade escolar e a local compartilhem dessa perspectiva de colaboração, o que em muito amplia a legitimidade das decisões a serem tomadas no âmbito da escola.

Testemunhamos, na última década, a tentativa de implantação de órgãos colegiados na escola pública, com várias funções, inclusive zelar pela quali­dade do ensino e pela transparência dos recursos da escola, sob nomes os mais diversos: Colegiado Escolar, Conselho Escolar, Colegiado Comunitário, Associações de Pais e Mestres.

Temos observado, também, que há muitos pais com vontade de participar do Conselho. Estes devem procurar a direção da escola para se informar sobre as regras e o período para a eleição dos seus membros. Além disso, os Conselhos também podem fazer reuniões abertas para aqueles que desejam se envolver.

Um órgão colegiado dentro de uma escola pode se tornar um espaço de decisões coletivas voltadas para os interesses das comunidades escolar e local, um instrumento permanente de educação através da participação de seus membros. A implantação de Colegiados e Conselhos Escolares é exemplo de iniciativa, quase sempre política, que busca incentivar canais de participação representativa na escola pública.

Maniqueísmo
É a doutrina que afir­mava a existência de um conflito cósmico entre o reino da luz e o das sombras.

Conselhos Escolares são órgãos colegiados compostos por repre­sentantes das comunidades escolar e local, que têm como atribuição deliberar sobre questões político-pedagógicas, administrativas, financeiras, no âmbito da escola. Cabe aos Conselhos, também, analisar as ações a empreender e os meios a utilizar para o cumprimento das finalidades da escola. Eles representam tanto a comunidade escolar quanto a local, atuando em conjunto e definindo caminhos para tomar as deliberações que são de sua responsabilidade. Representam, assim, um lugar de participação e decisão, um espaço de discussão, de negociação e encaminhamento das demandas educacionais, possibilitando a participação social e promovendo a Gestapo democrática. São, enfim, uma instância de discussão, de acompanhamento e de deliberação, na qual se buskin incentivar uma cultura democrática, buscando ins­taurar uma cultura partici­pativa e cidadã.

Considerando a importância das escolas públicas na construção da cidadania e na consciência da importância da participação coletiva nos processos sociais, veremos que os Conselhos Escolares podem ser uma enorme contribuição para a elaboração e a aplicação dos projetos político-pedagógicos, já que permitem a definição de rumos e prioridades das escolas numa perspectiva emancipadora, que realmente considere os interesses e as necessidades da maioria da sociedade.

Funções dos Conselhos Escolares
Como você já viu anteriormente, os Conselhos Escolares atuam em diversas áreas, exercendo inúmeras funções, tais como:
a.    Deliberativas: quando decidem sobre o projeto político-pedagógico e outros assuntos da escola, aprovam enca­minhamentos de problemas, garantindo a elaboração de normas internas e o cumprimento das normas dos siste­mas de ensino, e assim decidem sobre a organização e o funcionamento geral das escolas, propondo à direção as ações a serem desenvolvidas. Elaboram normas internas da escola sobre questões referentes ao seu funcionamento nos aspectos pedagógico, administrativo ou financeiro.

b.    Consultivas: quando têm um caráter de assessoramento, analisando as questões encaminhadas pelos diversos seg­mentos da escola e apresentando sugestões ou soluções, que poderão ou não ser acatadas pelas direções das unidades escolares.


c.    Fiscais (acompanhamento e avaliação): quando acompa­nham a execução das ações pedagógicas, administrativas e financeiras, avaliando e garantindo o cumprimento das normas das escolas e a qualidade social do cotidiano escolar.

d.    Mobilizadoras: quando promovem a participação, de forma integrada, dos segmentos representativos da escola e da comunidade local em diversas atividades, contribuin­do assim para a efetivação da democracia participativa e para a melhoria da qualidade social da educação.

 Devem fazer parte dos Conselhos Escolares: a direção da escola e a representação dos estudantes, dos pais ou responsáveis pelos estu­dantes, dos professores, dos trabalhadores em educação não docentes e da comunidade local. Como todo órgão colegiado, o Conselho Escolar toma decisões coletivas. Ele só existe enquanto está reunido. Ninguém tem autoridade especial fora do colegiado só porque faz parte dele. Con­tudo, o diretor atua como coordenador na execução das deliberações do Conselho Escolar e também como o articulador das ações de todos os segmentos, visando à efetivação do projeto pedagógico na construção do trabalho educativo. Ele poderá – ou não – ser o próprio presidente do Conselho Escolar, a critério de cada Conselho, conforme estabelecido pelo Regimento Interno.

A primeira atribuição dos Conselhos Escolares deverá ser a elaboração do Regimento In­terno do próprio Conselho Escolar, que define ações importantes, como: calendário de reuniões, escolha e substituição de conselheiros, condições de participação do suplente, processos de tomada de decisões.
Num segundo momento, deve-se partir para a elaboração, discus­são e aprovação do projeto político-pedagógico da escola. No caso de escolas em que este já existe, cabe ao Conselho Escolar avaliá-lo, propor alterações se for o caso, e implementá-lo.
Em ambos os casos, o Conselho Escolar tem um importante pa­pel no debate sobre os principais problemas da escola e suas possíveis soluções.
Aspectos positivos da implantação dos Conselhos Escolares
Sendo os Conselhos Escolares, como já dissemos, pedras básicas para o projeto político-pedagógico, sua efetiva implantação pode trazer as seguintes vantagens:
– as decisões refletem a pluralidade de interesses e visões que existem entre os diversos segmentos envolvidos;
– as ações têm um patamar de legitimidade mais elevado; maior capacidade de fiscalização e controle da sociedade civil sobre a execução da política educacional;
– maior transparência das decisões tomadas;
– garantia de que as decisões sejam efetivamente coletivas;
- garantia de espaço para todos os segmentos da comuni­dade escolar poderem expressar ideias e necessidades, contribuindo para as discussões dos problemas e a busca de soluções.

Para que haja uma participação efetiva dos conselheiros, é im­portante:
– escolher bem os representantes;
– permitir a participação dos conselheiros nas decisões, em igualdade de condições;
– informar com antecedência a pauta da reunião;
– possibilitar que os conselheiros expressem sempre as opiniões, mesmo se contrárias às do grupo;
– garantir o respeito às decisões tomadas;
– convocar reuniões extraordinárias para assuntos urgentes.

É grande a importância dos Conselhos Escolares para a busca de transformações no cotidiano escolar, orientadas pelo desejo de construção de uma sociedade igualitária e justa. Suas atividades são muitas e variadas, devendo sempre ser referenciadas pelas deman­das da comunidade e pela realidade de cada escola, que deve buscar o exercício da sua autonomia.


De modo geral, podem ser identificadas algumas atribuições dos Conselhos Escolares: elaborar seu Regimento Interno; convocar assembleias gerais da comunidade escolar; garantir a participação de todos na definição do projeto político-pedagógico da escola; promover relações pedagógicas que favoreçam o respeito ao saber do estudante e valorizem a cultura da comunidade local; participar da elaboração do calendário escolar; acompanhar a evolução dos indicadores educacionais (abandono escolar, aprovação, aprendi­zagem, entre outros); fiscalizar a gestão administrativa, pedagógica e financeira da unidade escolar; promover relações de cooperação e intercâmbio com outros Conselhos Escolares.

No processo de elaboração do projeto político-pedagógico da escola, compete ao Conselho Escolar debater e tornar claros os objeti­vos e os valores a serem coletivamente assumidos, definir prioridades, contribuir para a organização do currículo escolar e para a criação de um cotidiano de reuniões de estudo e reflexão contínuas, que inclua a avaliação do trabalho escolar. Por meio desse processo, combate-se a improvisação e as práticas cotidianas que se mostram incompatíveis com os objetivos e as prioridades definidos e com a qualidade social da educação que se pretende alcançar.

Os Conselhos Escolares, ao assumirem a função de estimular e desencadear uma contínua realização e avaliação do projeto político-pedagógico das escolas, acompanhando e interferindo nas estratégias de ação, contribuem decisivamente para a criação de um novo cotidiano escolar, no qual a escola e a comunidade se identificam no enfrentamento não só dos desafios escolares imediatos, mas dos graves problemas sociais vividos na realidade brasileira. A escola e a comunidade são realidades complexas, cada uma dentro da sua especificidade. Nesse sentido, o processo de construção do projeto político-pedagógico não é algo que se realiza com facilidade e rapidez.

O incentivo do poder público e o compromisso dos gestores edu­cacionais com esse processo são importantes, pois o desenvolvimento e o acompanhamento do projeto político-pedagógico exigem espaço e tempo para análise, discussão e reelaboração permanentes, assim como um ambiente institucional favorável, que assegure condições objetivas para a sua concretização.
CONCLUSÃO
É com a compreensão da natureza essencialmente política dos processos educacionais e político-educativa dos Conselhos Escolares que estes devem deliberar, também, sobre a gestão administrativo-financeira das unidades escolares, visando construir, efetivamente, uma educação de qualidade social. Os membros efetivos são os representantes de cada segmento. Os suplentes podem estar presentes em todas as reuniões, mas apenas com direito a voz se o membro efetivo estiver presente. Recomenda-se que os Conselhos Escolares sejam constituídos por um número ímpar de integrantes, procurando-se observar as diretrizes do sistema de ensino e a proporcionalidade entre os segmentos já citados, ficando os diretores das escolas como “membros natos”, isto é, os diretores no exercício da função têm a sua participação assegurada no Conselho Escolar.

A escolha dos membros dos Conselhos Escolares deve-se pautar pela possibilidade de efetiva participação: o importante é a representa­tividade, a disponibilidade e o compromisso; é saber ouvir e dialogar, assumindo a responsabilidade de acatar e representar as decisões da maioria, sem nunca desistir de dar opiniões e apresentar as suas pro­postas, pois os Conselhos Escolares são, acima de tudo, um espaço de participação e, portanto, de exercício de liberdade.

Os Conselhos Escolares são constituídos por representantes de professores, de pessoal técnico-administrativo, de pais, de alunos e o diretor da escola, os quais, em geral, não receberam preparação prévia adequada. Tem sido observado, com mais frequência do que se pode imaginar, que esses representantes, ou não conhecem seu papel, ou não desenvolveram integralmente a competência para participar e legitimar a vontade de seus pares. Assim, legitimam a sua própria vontade ou a dos diretores escolares ou ainda das Secretarias de Educação. Raramente discordam ou questionam determinações superiores.

Os Conselhos Escolares devem se reunir com periodicidade:  sugerem-se reuniões mensais, com uma pauta previamente distribuída aos conselheiros, para que possam, junto a cada segmento escolar e representantes da comunidade local, informá-los do que será discutido e definir em conjunto o que será levado à reunião.

Os conselheiros devem convocar novamente os segmentos que representam para informar a respeito das decisões tomadas. Além dessas reuniões, recomendam-se também assembleias gerais, que contam com a participação de todos os segmentos da comunidade escolar.  Estas são soberanas nas suas decisões, ou seja, qualquer deliberação em contrário só terá validade se novamente apresentada e referendada por outra assembleia geral.

As assembleias gerais podem ser convocadas, entre outros, para o esclarecimento do papel dos Conselhos Escolares (e eleição dos seus membros, se for o caso); para divulgar as propostas de trabalho das escolas e para fazer um balanço das atividades realizadas. Tanto as assembleias quanto as reuniões do Conselho Escolar devem ser realizadas com a presença da maioria dos representantes, sendo todas as discussões, votações e decisões registradas em atas, que serão lidas, aprovadas e assinadas e colocadas à disposição da comunidade escolar.



 Aula 7 - Os direitos das crianças

Em 1959, a Assembeia Geral das Nações Unidas aprovou uma declaração que expressa os direitos mínimos de todas as crianças do mundo.

1. Direito à igualdade, sem distinção de raça, religião ou nacio­nalidade.
2 Direito à proteção especial para seu desenvolvimento físico, mental e social.
3. Direito a um nome e a uma nacionalidade.
4. Direito à alimentação, à moradia e à assistência médica ade­quadas para a criança e a mãe.
5. Direito à educação e a cuidados especiais para a criança, física ou mentalmente deficiente.
6. Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da so­ciedade.
7. Direito à educação gratuita e ao lazer.
8. Direito a ser socorrido em primeiro lugar em caso de catás­trofe.
9. Direito a ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho.
10.Direito a crescer dentro de um espírito de solidariedade, com­preensão, amizade e justiça entre os povos.

Possíveis ações podem ser: instituir um programa permanente de aperfeiçoamento de recursos humanos:
• investir na melhoria das condições de trabalho de educadores;
• acompanhamento, por parte dos supervisores, do cotidiano da escola, com possíveis intervenções em sala de aula;
• reunião, por área, com professores, coordenadores e direção, para acompanhar o trabalho desenvolvido;
• presença da direção nas reuniões, promovendo a participação de todos os segmentos envolvidos;
• avaliar e reavaliar o planejamento dos trabalhos;
• promover a integração entre a equipe técnica e os professores;
• melhorar a distribuição, o controle e a qualidade da merenda escolar;
• programas de recuperação paralela (os alunos fazendo a re­cuperação durante o período letivo em curso e não apenas no final do ano).

O grande desafio dos gestores está na capacidade de perceber quais dos seus colaboradores possuem condições de transformar as informações disponíveis na contemporaneidade em conheci­mentos indispensáveis para o sucesso do processo pedagógico. A informação e o conhecimento são instrumentos estratégicos indis­pensáveis para o desenvolvimento de atividades que promovam a cidadania. Nessa lógica, é vital, para o gestor, compreender que o conhecimento tornou-se o principal ingrediente do que é produzido, comprado e vendido. Enfim, entendemos que o gestor deste início de século deva, sobretudo, possuir sensibilidade para perceber quais de seus colaboradores produzem, pois, caso contrário, correrá o risco de perdê-los e ficar com aqueles que nada produzem. Para avaliar a excelência de sua gestão, o gestor deve olhar para seus colaboradores, e se nessa ação perceber que eles estão bem, então ele igualmente estará bem, atuando como um bom líder. A ação proposta deve contemplar a produção do conhecimento, função da escola, como um pano de fundo democrático e participativo, papel de um gestor antenado com a modernidade, respeitando os direitos das crianças que recebem a educação dada na escola.

Cidadania
A Constituição de 1988 representa um marco para a sociedade brasileira, pois a cidadania é definida como um dos princípios básicos da vida, onde o cidadão possa exercer seu papel na construção da democracia social. As instituições como as escolas e os atores sociais precisam estar comprometidos com a formação cidadã.

A origem da palavra cidadania vem do latim civitas, que quer dizer “cidade”. A palavra cidadania foi usada na Roma Antiga para indicar a situação política de uma pessoa e os direitos que ela tinha ou podia exercer.

 Na Roma Antiga, o conjunto de cidadãos que constituíam uma cidade era chamado civitate. A cidade era a comunidade organizada politicamente. Era considerado cidadão aquele que estava integrado na vida política da cidade. Naquela época, e durante muito tempo, a noção de cidadania esteve ligada à ideia de privilégio, pois os direitos de cidadania eram explicitamente restritos a determinadas classes e grupos.
A definição de cidadania foi sofrendo alterações ao longo do tem­po, seja pelas alterações dos modelos econômicos, políticos e sociais ou pelas conquistas, resultantes das pressões exercidas pelos excluídos dos direitos e garantias a poucos preservados, num rico processo histórico.

Para Demo (2002), o que se espera da cidadania moderna é um cidadão sempre alerta e bem informado, crítico, criativo, capaz de ava­liar suas condições sociais, econômicas, dimensionar sua participação histórica, reconstruir suas práticas e participar decisivamente da sociedade e da economia.
 
Os direitos que temos não nos foram conferidos, mas conquis­tados. Muitas vezes compreendemos os direitos como uma concessão, um favor de quem está por cima para os que estão por baixo. Contudo, a cidadania não nos é dada, ela é construída e conquistada a partir da nossa capacidade de organização, participação e intervenção social.

O Código de Defesa do Consumidor está regulamentado pela Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, que dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências.

Construir cidadania é também construir novas relações e consciências. A cidadania é algo que não se aprende com os livros, mas com a convivência, na vida social e pública. É no convívio do dia a dia que exercitamos a nossa cidadania, por meio das relações que estabelecemos com os outros, com a coisa pública e o próprio meio ambiente. A cidadania deve ser perpassada por  ecologia, a ética.

Como seres inacabados que somos, sempre estaremos buscando, descobrindo, criando e tomando consciência mais ampla dos direitos. Nunca poderemos chegar e entregar a tarefa pronta, pois novos desafios na vida social surgirão, demandando novas conquistas e, portanto, mais cidadania.

A formação cidadã deveria ser uma das preocupações primordiais da escola. Gadotti (2001) define cidadania como a consciência de direitos e deveres da democracia e defende uma escola pública cada vez mais comprometida com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Para isso, ela deve propiciar um ensino de qualidade, buscando a formação de cidadãos livres, conscientes, democráticos e participativos.

  Participar requer escuta e valorizar o saber do outro. Requer que nos libertemos das concepções de “aluno ideal”, “professor ideal”, “família ideal” e “escola ideal”, para tomarmos consciência das dimensões humanas e sociais de cada um desses papéis. A defasagem entre as expectativas e a realidade muitas vezes nos faz reforçar preconceitos e tomar decisões que são movidas por uma falta de entendimento dos processos complexos que acontecem no espaço escolar.

É inegável a influência que a família exerce na vida do futuro adulto, mas seu poder não é irrestrito; o ambiente familiar é formador, porém não é irreversível. Sabemos que o desenvolvimento da criança, assim como a formação de suas características de personalidade, não é devido exclusivamente à experiência vivida no ambiente familiar, mas às relações estabelecidas por ela com os diferentes ambientes em que inte­rage, como por exemplo, a escola, os amigos, a sociedade em geral.
Assim, a questão sobre a participação dos pais na escola é um tema recorrente, que aparece nos discursos docentes em geral com queixas sobre a falta de envolvimento dos pais nas atividades e na vida escolar dos filhos. Por outro lado, os pais esperam ser chamados à escola, em geral em situações pouco favoráveis ao filho. Em consequência, a re­lação entre professores e pais é assimétrica, e envolve poder e falta de comunicação, na qual muitas vezes o que poderia ser uma parceria se torna uma competição.

Uma relação autoritária cultiva uma educação para a docilidade, desenvolvendo nos alunos uma dependência quase infantil. Pode-se afirmar que o tema transversal que está no trabalho pedagógico é o da submissão: educa-se para a obediência. Esse exercício constante da autoridade do professor sobre os alunos é uma forma de fazer com que eles se recordem sempre que não podem decidir por si mesmos, que estão sob tutela, pois não se pode depositar confiança neles. Esse tipo de escola é a escola da passividade, onde apenas professor tem voz. Os educadores esperam obter com a disciplina um tipo de comportamento estereotipado e uniforme. Assim, visan­do o controle, ocorrem as filas, a cabeça atrás de cabeça, o tempo limitado para cada atividade, os conteúdos estagnados e as provas homogêneas. E a vida em grupo fica do lado de fora da escola, pois o enfoque principal é no trabalho individual.
No processo de construção do conhecimento, os alunos precisam participar de maneira ativa, sendo que as movimentações na sala, as interações ou “conversas” entre as crianças, a resolução de pro­blemas, a tomada de decisões, não podem ser confundidas com indisciplina. É imprescindível que o aluno experimente o obstáculo, a dificuldade, a atividade proposta deve envolver os alunos, desafiá-los. Assim, o educador, ao elaborar atividades, deve se preocupar em propor situações em que o aluno queira resolver, que ele tenha necessidade ou interesse em solucioná-la, que envolva a compre­ensão e a invenção. Se anteriormente disciplina lembrava a obe­diência, o silêncio, a resignação, com as relações orientadas dessa forma, espera-se que apareça outro significado que considera muito mais interessante para o conceito de disciplina, que seria: aquela que denota tenacidade, perseverança, força afirmativa, obstinação, vontade de saber e de transpor os obstáculos, movimento. O traba­lho em classe implica participação, desenvolvimento e criatividade, pois considera que este é, naturalmente, o segredo de toda boa pedagogia.

Resumo

Reunimos um conjunto de reflexões sobre a relevância da participação em sua relação com os processos de construção da cidadania. A escola estabelece uma relação assimétrica com os pais, gerando uma distância social que impede muitas vezes a aproximação e reforça a falta de vínculo entre as duas partes. A escola precisa repensar as relações e a formação de seu aluno, ajudando-o a tomar o rumo para a realização pessoal e profissional, resgatando espaços de inserção na vida social. Esta é feita por meio da escola baseada na democracia, assumindo a implantação de uma gestão mais participativa, pressupondo que alunos, professores e pais tenham a capacidade de participar efetivamente do processo de formulação de ações pertinentes a sua resolução.

Promover espaços participativos é educar para a vida. Somente assim, será possível o respeito e a valorização das diferenças presentes em nosso território brasileiro. Se isso não acontecer, alguém será excluído, e esse alguém com certeza será o mais fraco. Isso é um desafio e um compromisso da escola para a formação de uma sociedade democrática, justa, igualitária e solidária.

Aula 8 - A gestão pedagógica estabelece objetivos gerais e específicos para os processos de ensino, define linhas de ação pedagógica em função dos objetivos traçados em conjunto e das características dos alunos e da comunidade que a escola atende, propondo metas e objetivos a serem atingidos; acompanha e avalia o rendimento, o sucesso dos objetivos alcançados e das metas cumpridas.

Ao desempenhar suas funções, avalia o processo de funcionamento pedagógico da escola como um todo. O que pretende fazer explicitado no Projeto Político-Pedagógico e regulado pelo Regimento Escolar.
O (A) Diretor (a) é quem articula a gestão pedagógica, sendo um dos principais responsáveis por seu sucesso, auxiliado (a) na tarefa pela coordenação pedagógica da instituição escolar.

 A gestão de recursos humanos é tão importante quanto a gestão pedagógica; é uma parte sensível da gestão, já que envolve pessoas – alunos, equipe escolar, comunidade. Direitos, deveres, atribuições – de professores, do corpo técnico, do pessoal administrativo, dos alunos, dos pais e das comunidades – devem estar previstos no Regimento Escolar.

 A gestão administrativa cuida dos aspectos físicos e materiais da escola, como o prédio em que ela funciona, os equipamentos de que dispõe, as questões que envolvem legislação, os procedimentos junto às secretarias e demais órgãos reguladores do funcionamento da escola. Suas atividades e atribuições também devem estar previstas no Projeto Político-Pedagógico da escola e no Regimento Escolar. Quando o Regimento Escolar é elaborado de modo equilibrado, não tolhendo demais a autonomia das pessoas envolvidas com o trabalho escolar, nem deixando lacunas e sujeitas a interpretações ambíguas, a gestão se torna mais simples e mais justa.

A organização que prevê essas atribuições para a gestão não pode separá-las, devem estar sempre caminhando em conjunto, pois o sucesso da instituição escolar depende em grande parte das articulações e da integração entre esses aspectos, de forma a buscar a organicidade do processo educativo.

A escola inclusiva parte do princípio de que todos os alunos podem conviver, aprender e participar da comunidade escolar e social. As diferenças são respeitadas, e a diversidade é uma característica natural, que fortalece as relações e enriquece as experiências pedagógicas. Todos são responsáveis por um processo no qual a inclusão seja valorizada e o respeito às diferenças seja uma das características fundamentais dos trabalhos desenvolvidos na escola.

Nesse contexto, a gestão compartilhada ganha espaço; uma gestão, como
defende Lück (2000), que valorize os diferentes talentos e as responsabilidades individuais, convergindo para a responsabilidade coletiva.

Algumas características dos professores favorecem o trabalho pedagógico, a interação professor-aluno e a gestão para propiciar inclusão:
• criatividade ao utilizar estratégias e materiais;
• habilidade para organizar a sala de aula, o currículo e as metodologias de ensino;
• energia, prazer e entusiasmo pelo processo de aprendizagem e de desenvolvimento de seus alunos;
•conhecimento de diferentes estratégias de ensino e das características de aprendizagem de todos os alunos;
• flexibilidade para modificar estruturas, contextos e rotinas;
• disposição para estudos complementares e formação continuada
• energia, prazer e entusiasmo pelo processo de aprendizagem e de
desenvolvimento de seus alunos;
•conhecimento de diferentes estratégias de ensino e das características de aprendizagem de todos os alunos;
• flexibilidade para modificar estruturas, contextos e rotinas;
• disposição para estudos complementares e formação continuada.

O século XX caracterizou-se pela formulação de instrumentos legais que garantissem os direitos fundamentais da pessoa, em vários aspectos e níveis, especificamente no que se refere aos alunos com necessidades educacionais especiais inseridos nas classes comuns do sistema educacional.

A legislação vigente no século XXI representa, sem dúvida, uma evolução nas políticas voltadas para a inclusão. Pensar no aluno como a origem de um problema, exigindo-se dele que se adeque à escola, é uma leitura inconcebível nos dias atuais. A escola hoje deve ser um ambiente acolhedor e prazeroso, que proporcione a todos os alunos não só o acesso, mas também sua permanência, com sucesso e qualidade.

Embora a realidade esteja ainda muito aquém do desejável, o fundamental é tornar efetivas as políticas existentes, para que mecanismos legais possam concretizar o direito de toda criança aprendendo na escola. É preciso romper com a ideologia da exclusão, implantando a verdadeira inclusão, na qual todos possam conviver e participar juntos.
A educação tem, hoje, o grande desafio de rever suas ações frente a uma gestão que precisa pensar o seu aluno como um todo, respeitando as suas necessidades e peculiaridades, construindo coletivamente e criando condições para que seja possível atender às diversidades dentro da escola.

Aula 9 - Ao longo da sua evolução, os conhecimentos sobre Gestão permitiram criar suporte conceitual para desenvolver métodos, técnicas e ferramentas adequadas para, em cada contexto econômico e social, reforçar a viabilidade e a sustentabilidade das instituições, da escola inclusiva, posicionando-as melhor para a realização dos seus objetivos.

Nas instituições e organizações, o conhecimento ocorre através de três vertentes, a saber: a humana, que considera as capacidades e competências dos que compõem a instituição, a estrutural, que considera o conjunto e a infraestrutura de funcionamento, e a relacional, que trata das relações internas e externas na instituição, sua capacidade de se oxigenar nos dois âmbitos.

Quando falamos de gestão relacional, nos referimos ao que se convencionou chamar de empoderamento (do inglês empowerment), que significa que quem está no lugar de gestor tem algum poder que emana de dentro para fora, não é outorgado por alguém de fora, do sistema. Um gestor nessa perspective tem a capacidade de flexibilizar, de estabelecer parcerias, de passar de uma condição de dependência para uma condição de liderança participativa e estratégica, tecendo as bases da teia relacional. Percebemos os movimentos de mudanças nas instituições educacionais através das ações concretas e participativas que os gestores utilizam, que trazem resultados concretos e observáveis, por exemplo, na forma como acontecem as práticas pedagógicas e nas formas como os participantes do processo educativo se relacionam.

      A teoria da gestão relacional tem como norte o princípio de que o sucesso da gestão se efetiva através do aprimoramento da relação intra e interpessoal, pois só através da conquista se consegue o envolvimento dos atores da comunidade educativa no processo de tomada de decisões e aprimoramento do trabalho pretendido. A prática da gestão relacional toma como norte a participação, a estratégia, a qualidade da gestão educacional e evidencia que, através do planejamento participativo e estratégico, pode-se traçar os objetivos, metas e ações a serem alcançados a curto, médio e longo prazo, tendo como foco a qualidade, a excelência da prática educacional do nosso tempo.

A gestão relacional na educação possui uma metodologia numa perspectiva dialética, pautada na percepção das contradições e dos determinantes sociais, o que favorece a comunidade educativa à reflexão, à reelaboração e à construção do conhecimento, da observação, da escuta, da pesquisa e da criatividade com base metodológica de efetivação da práxis.

Desta feita, demanda a consciência do inacabado, o bom-senso, com a convicção de que mudar é possível, com a tomada consciente de decisões, sabendo escutar e dialogar, reconhecendo que a educação é ideológica, dialógica, dialética, que defende os direitos humanos, o agir participativo e respeitoso e a autonomia da comunidade educativa. No estudo da gestão educacional, é importante que nos confrontemos com a questão da aprendizagem não apenas instrumental mas que tenha um teor político, para que se torne possível o compromisso com a aprendizagem dos alunos. Ao mesmo tempo, professores mais bem preparados e capazes de elaborar projeto próprio conseguem questionar, de modo mais condizente, procedimentos considerados inadequados, que venham de fora (avaliações autoritárias, livros didáticos impostos, programas duvidosos de teleducação etc.) ou que venham de dentro (apenas autoavaliação, corporativismo defensivo, reprovação/evasão).

Demo (2000) enfatiza que o professor não pode declinar de seu papel central na elaboração do projeto pedagógico coletivo, assim como a comunidade não pode deixar de insistir no controle democrático.

Gandim (2000), ao trazer a noção de planejamento participativo, traz também uma visão própria de participação, que nasce a partir de uma visão institucional, que acredita em uma sociedade organizada de forma justa, que supere as extremas desigualdades sociais e que se caracterize pela participação em diferentes níveis. Nesse contexto, participação não é simplesmente aquela presença, aquele compromisso de fazer alguma coisa, aquela colaboração, aquele “vestir a camisa”, nem mesmo a possibilidade de decidir alguns pontos esparsos e de menor importância; participação é aquela possibilidade de todos usufruírem dos bens, os naturais e os produzidos pela ação humana.

Segundo Paro (1997, p.17): A participação da comunidade na escola, como todo processo democrático, é um caminho que se faz ao caminhar, o que não elimina necessidade de se refletir previamente a respeito dos obstáculos e potencialidades que a realidade apresenta para a ação.

Freire (1997) nos fala de construirmos a AUTONOMIA de forma que possamos participar de forma consciente nas diferentes instâncias de nossa vida; diz ele que a UTOPIA está vinculada à conscientização, pois quanto mais conscientizados estivermos, mais capazes seremos de nos colocarmos como anunciadores, já que a denúncia é um anúncio e toda crítica consciente está imbuída de utopias. Sem a utopia, não existiriam perspectivas, nem horizontes profundos; sem a ação, a utopia se desfaria em abstrações e em sonho delirante. Freire (1997) refere que a denúncia e o anúncio criticamente feitos no processo de leitura do mundo que dão origem ao sonho por que lutamos.

 Para que a escola possa se preparar para enfrentar as mudanças, é necessário que o seu planejamento estratégico esteja orientado para dar conta dessa perspectiva de flexibilidade de objetivos e de clareza de sua missão institucional e da busca por autonomia de todos os seus integrantes. E quem é o principal responsável para que as ações sejam implementadas, por incutir no planejamento a perspectiva de mudança?

O gestor, transformado de um administrador para um agente de aprimoramento e construção no meio em que atua. Ele deve saber conduzir os participantes da equipe escolar para que construam e cumpram regulamentos, em busca da consciência de que nos fala Freire (1997), libertos da mera exigência externa, já que o que temos que fazer passa a fazer parte de nosso eu interior. Falamos, então, de um processo de GESTÃO RELACIONAL em educação.

     A gestão relacional apresenta potencialidades técnicas que pode ser recomendadas no sentido de melhorar nossas instituições educativas. Deve ser vista no conjunto das estratégias e racionalidades plurais que os atores escolares (pessoas ou grupos) mobilizam, negociando comportamentos e resistindo a imposições; deve ainda levar em conta o contexto das escolas, em uma visão integradora e ter uma perspectiva política do fazer educativo. Ter ainda, clareza de que não há homogeneidade cultural e que a flexibilidade e a participação são características que devem ser consideradas sempre. Por fim, enfatizar deveres e respeitar hierarquias e direitos pode ser uma nova e renovada forma de gerir a instituição escolar.

A creditamos que a pessoa se desenvolve de forma global, em todos os seus aspectos. No entanto ainda encontramos professores que se preocupam apenas com os aspectos cognitivos. Pessoas são múltiplas!

Gardner (1995), baseado na Neuropsicologia, considera a mente humana como um conjunto de capacidades necessárias para resolver problemas ou elaborar produtos valiosos em um contexto cultural ou em uma comunidade determinada. As pessoas, segundo sua carga genetica e as exigências do ambiente, desenvolvem determinadas capacidades, podendo deixar de desenvolver outras.
Gardner utilizou o termo múltiplo para enfatizar um número desconhecido de capacidades humanas diferenciadas. Desenvolveu a Teoria das Inteligências Múltiplas, como uma visão alternativa, pluralista da mente, reconhecendo que as pessoas têm diferentes potenciais cognitivos, pois a cognição possui facetas distintas, tendo assim uma visão multifacetada da inteligência, o que chamou de “inteligências”, como lógico-matemática, linguística, musical, espacial, corporal-cinestésica, interpessoal e intrapessoal.

      Para nós, as duas últimas estão mais de acordo com o tema da aula: a inteligência interpessoal é aquela que permite que a pessoa se relacione bem com as outras, distinguindo sentimentos (intenções, motivações, estados de ânimo) pertencentes ao outro, buscando reagir em função destes sentimentos. Esta capacidade permite a descentralização do sujeito para interagir com o outro. Mostra a capacidade de uma pessoa para entender as intenções, as motivações e os desejos alheios e, em consequência, sua capacidade para trabalhar eficazmente com outras pessoas. E a inteligência intrapessoal fala da capacidade que uma pessoa tem de se conhecer, de controlar suas emoções, de administrar seus projetos e seus sentimentos. Esta inteligência permite que o indivíduo conheça suas capacidades e possa usá-las da melhor forma possível.

Vale ressaltar as duas grandes agências de socialização: a família e
a escola. Nestes contextos a aprendizagem de diversas emoções é processada, desenvolvendo-se a inteligência intrapessoal e interpessoal, através das relações verticais (com adultos – pais e professores) e horizontais (com crianças e adolescentes – colegas, amigos e irmãos).

Faz-se necessário criar espaços para discutir coletivamente temas que possam contribuir para o desenvolvimento intra e interpessoal dos envolvidos. Por meio desse espaço, buscava-se promover:
a) a oportunidade para aprender a receber e dar feedback;
b) uma atmosfera de confiança e aceitação;
c) a análise dos modelos de comportamentos;
d) a aplicação dos conteúdos para a vida do sujeito, dentro e fora do trabalho. Para isto é essencial realizar encontros e trabalhar o autoconhecimento, o relacionamento interpessoal, a educação continuada e a qualificação profissional, a saúde e o trabalho, o tempo livre e a aposentadoria.

        Na proposta de gestão que apresentamos, a tomada de decisões é fundamental, caso contrário o gestor não consegue ocupar um espaço de quem resolve os problemas pelas causas e não pelas consequências; ele coleta as informações, define os problemas a serem enfrentados e busca as alternativas.

        Na concepção de gestão relacional, diretores são gestores de métodos, isto é, agentes de contínua transformação, desenhando processos de uma cultura que aumente a capacidade de mudar da organização escolar; enquanto os coordenadores pedagógicos são gestores de talentos, porque atuam com os docentes, buscando promover seu desenvolvimento profissional, os orientadores educacionais são também gestores de talentos, pois estão altamente comprometidos com o desenvolvimento pessoal dos alunos. E os professores são gestores do conhecimento, precisam favorecer situações de aprendizagem significativa aos alunos, variando-as conforme as diferenças de cada um e de acordo com as especificidades da área de conhecimento em que atuam. Desta forma, é na gestão relacional que se evidencia o investimento institucional na relação intra e interpessoal, que se consegue o envolvimento da comunidade educativa na construção de uma educação mais justa, mais ética e consequentemente mais cidadã.

 CONCLUSÃO

Vale a pena ressaltar que a gestão estratégica não pode omitir as questões éticas, isto é, na avaliação da gestão devem entrar critérios que tenham a ver com definições de cidadania, de equidade, de interesse geral. Qualquer responsável pela concretização de um modelo de gestão numa dada instituição educacional, a ser possível, deve considerar a responsabilidade social dos seus atos no sentido de ir além dos meros interesses da instituição e almejar objetivos e atividades civicamente críticas e socialmente empenhadas, como por exemplo, a construção coletiva do planejamento estratégico e do Projeto Político Pedagógico da escola.
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       A construção da gestão relacional só se torna possível perpassando pelo planejamento participativo, onde haja a construção coletivada proposta pedagógica para traçar os objetivos, metas e ações para serem alcançados a curto, médio e a longo prazo, abrindo os caminhos para uma educação de qualidade. Faz-se necessário favorecer a relação interpessoal, o trabalho em equipe, incentivar as iniciativas dos professores e dos alunos que venham a construir situações de construção de conhecimento e de desenvolvimento de cidadania.

       Conclui-se que o desenvolvimento da instituição educacional só se efetiva com o envolvimento emocional de todos os que fazem a empresa e que a gestão relacional na Educação demanda a consciência do inacabado, o bom senso, a convicção de que mudar é possível, a tomada consciente de decisões, saber escutar e dialogar, reconhecer que a educação é ideológica, dialógica, dialética, que defende os direitos humanos, o agir participativo e respeitoso e a autonomia da comunidade educativa.

 Resumo

A pesquisa científica favorece a compreensão da dinâmica dos processos de gestão educacional, pois a partir dos dados coletados e analisados, o gestor com a sua equipe traçará metas e ações para serem atingidas a curto, médio e a longo prazo para reverter as dificuldades e aprimorar os avanços obtidos. A teoria da gestão relacional defende que é através da relação intrapessoal e interpessoal que se pode por meio da conquista envolver todos os que fazem a comunidade educativa na construção de uma gestão participativa, democrática e emocionalmente envolvida.  Desta forma, a gestão relacional permite encontrar soluções para vencer as dificuldades que permeiam a instituição educacional.

Aula 10 - Chiavenato (1999) compara a cultura organizacional a um iceberg em que apenas um percentual muito pequeno é visível sobre a superfície das águas, sua maior parte permanece oculta, fora da visão das pessoas. No entanto, está ali sustentando, direcionando, com uma vitalidade imensa.

Uma gestão integradora não deve apenas compartilhar as visões dos vários segmentos, mas também deve promover a divisão de responsabilidades e supervisionar formal e informalmente as ações, enriquecendo os processos de busca coletiva por soluções de problemas que ocorrem nas escolas e em seu entorno, buscando sempre melhores relações com a comunidade que utiliza os serviços que a escola oferece e com os sistemas reguladores dos processos, como as secretarias municipais, estaduais, e ainda, com os órgãos federais, em nível de conhecer e divulgar as políticas que deles emanam.

Não existem somente relações sociais, há pessoas concretas, homens e mulheres. Como humanos as pessoas são seres falantes que devem se comunicar e assim vão construindo o mundo com suas relações. Deste modo, o ser humano é na essência, alguém de relações ilimitadas.

A gestão escolar integradora significa uma nova forma de administrar a escola, permitindo que haja, por parte dos envolvidos relacionados à estrutura escolar, uma posição mais ativa em relação às políticas e práticas que orientarão as atividades da instituição de ensino em determinado período, falando e se comunicando sobre o que acontece e o
que deve acontecer.

Gestão é a geração de um novo modo de administrar uma realidade e é, em si mesma, democrática, já que se traduz pela comunicação, pelo envolvimento coletivo. Representa um avanço democrático significativo, sendo uma demonstração efetiva da necessidade que as instituições públicas têm de estabelecer uma nova forma de relação entre todos.

Para o desenvolvimento de um trabalho coletivo e participativo, é preciso estimular a interação entre os envolvidos para que possam trocar ideias, dividir tarefas e enfrentar as dificuldades, superando as divergências que acabam dividindo o grupo. O cultivo das diversidades de opiniões enriquece e amplia a visão particular do que se pretende realizar ou efetivar. Esse relacionamento permite o questionamento de certezas, o articular de ações, a participação mais ativa de todos nos processos desenvolvidos no ambiente, o que proporciona a diminuição de resistências às formas de pensar, favorecendo a mudança. Sem o trabalho coletivo, dificilmente consegue-se alcançar os resultados propostos, pois é a integração do grupo que permite uma intervenção para que se definam os objetivos a serem realizados e que cada um assuma, dentro da sua função, a responsabilidade de pertencer ao grupo.

Espera-se do gestor que, antes de tudo, seja um educador, utilize as orientações do sistema para fortalecer a função educativa da escola e consiga atuar com toda competência administrativa, para fazer fluir a ação pedagógica, lembrando sempre da questão ética.

De acordo com Souza e Rodrigues (2001), ética é um conjunto de princípios e valores que guiam e orientam as relações humanas. Esses princípios devem ter características universais e precisam ser válidos para todas as pessoas e para sempre, isto é, em qualquer lugar.
Segundo Freire (2002), só é possível falar em ética se há escolha que advém da capacidade de amparar, se há responsabilidade assumida.

Na gestão integradora, em relação à comunidade escolar, é do gestor que se espera a articulação de todas as ações da escola. Se o gestor for comprometido com o trabalho e acreditar no projeto da escola, este terá mais chances de ser elaborado, consolidado e implementado. O gestor deve estar consciente de que nem todos os problemas terão solução. A escola busca resolver suas necessidades quando o mesmo delega tarefas a todos os profissionais da escola e até aos colaboradores externos. Ele é dirigente quando organiza o todo em partes, fazendo grande articulação na escola, com o envolvimento de todos mantendo clima favorável, avalia resultados, cuidando para que os acertos sejam valorizados, os erros corrigidos e superados.

CONCLUSÃO

Coordenar um grupo requer persistência, honestidade e predisposição para desenvolver a forma da virtude do amor pela escola, daeficiência concreta de deveres e na satisfação da qualidade escolar. Vale a pena, pois um grupo coeso é capaz de mobilizar forças de tal forma que o todo constitua um bem beneficiando a todos.
A participação direta da comunidade é o reconhecimento de sua importância, visto que ela fornece informações que serão a base do trabalho dirigido pela escola, pois na educação cidadã, a reflexão sobre o grupo social em que o aluno se encontra é um requisito relevante e que deve ser observado. A escola só terá maior sucesso se a ação for coletiva, e isto dependerá dos gestores que a dirigem, os quais precisam transformar sua maneira de ser, agir e construir.

 A gestão integradora representa uma atividade coletiva imbricada na participação e em metas comuns. Contudo, considera essenciais as capacidades e responsabilidades individuais guiadas por uma ação coordenada e controlada. Sua ação deve contemplar essa visão individual e coletiva. Seus professores e funcionários não necessariamente devem concordar integralmente com você, mas devem ser capazes de entender sua proposta, assim como também famílias e alunos.

RESUMO

A questão da necessidade de melhora na qualidade da Educação já se constitui como um problema e um desafio a longo prazo. Entretanto, para se atingir esse objetivo é preciso uma revisão não apenas nas práticas docentes, mas, também nas concepções que orientam essas ações.  A gestão escolar constitui-se em uma atuação que objetiva promover a organização, a mobilização e a articulação de todas as condições materiais e humanas dos estabelecimentos de ensino.
A gestão integradora visa construir uma escola de boa qualidade, prestando atendimento aos alunos e à comunidade, aproveitando melhor seus recursos existentes, oportunizando a ampliação e aplicação do conhecimento.

A escola democrática sera aquela que conseguir interagir com as condições de vida e com as aspirações dos que buscam ensino de qualidade e promoção pessoal e social. Como vivemos em uma época na qual o conhecimento é uma das molas mestras, temos que ter em mente que o papel de um gestor escolar, nesse contexto, se torna de extrema relevância para facilitar as necessárias adaptações curriculares e das pessoas a essa nova visão de sociedade. Esse gestor tem que estar preparado para gerenciar conflitos, negociações e tomadas de decisões, antenado com o mundo complexo moderno, devendo ser capaz de se adaptar à realidade de cada escola e às mudanças ocorridas no mundo e nas pessoas.

É preciso agir estrategicamente, pois o desgaste desnecessário de energia pode levar ao fracasso na gestão de conflitos e negociação, e a falhas nas tomadas de decisões. É preciso ter comando firme, ser um líder convincente e, sobretudo, ser exemplo. Deve procurar motivar-se e criar motivos para a motivação dos outros, comunicar-se eficazmente, saber ouvir, perguntar e aprender sempre. O gestor que trabalha eficazmente com o gerenciamento de conflitos adquire competências em negociação e nas tomadas de decisões.

Texto complementar

 O Planejamento Participativo é, de fato, uma tendência (uma escola) dentro do campo de propostas de ferramentas para intervir na realidade. Ele se alinha ao lado de outras correntes, como o Planejamento Estratégico, o Gerenciamento da Qualidade Total1... Como tal, ele tem uma filosofia própria e desenvolveu conceitos, modelos, técnicas e instrumentos também específicos.

a) Ele foi desenvolvido para instituições, grupos e movimentos que não têm como primeira tarefa ou missão aumentar o lucro, competir e sobreviver, mas contribuir para a construção da realidade social. Tais entidades, incluindo aqui governos e seus diversos órgãos, não dispunham de ferramenta adequada para organizar seus processos de intervenção na realidade e vão, aos poucos, aproveitando-se do que o Planejamento Participativo lhes oferece para isto. Na América do Sul têm sido as escolas as instituições que mais utilizaram esta ferramenta para organizar seus processos de construção da prática escolar com um sentido de contribuir para a construção das pessoas e das estruturas sociais. Também redes de ensino oficial, sobretudo as ligadas aos municípios foram beneficiadas com a aplicação de conceitos, modelos, técnicas e instrumentos gestados dentro do Planejamento Participativo.


b) Ele parte da verificação de que não existe participação real em nossas sociedades, isto é, de que há pessoas e grupos dentro delas que não podem dispor dos recursos necessários ao seu mínimo bem-estar. Mais do que isto: parte da clareza de que isto é conseqüência da organização estrutural injusta destas mesmas sociedades.

c) Propõe-se, por isto, como ferramenta para que as instituições, grupos e movimentos que para isto existirem, e, obviamente, para os governos e seus órgãos, porque para isto existem, possam ter uma ação e um ser direcionados a influir na construção externa da realidade, ou seja, a serem, eles mesmos, apenas meios para a busca de fins sociais maiores.

d) Como conseqüência, constrói um conjunto de conceitos, de modelos, de técnicas e de instrumentos que permitam utilizar processos científicos e ideológicos e organizar a participação para intervir na realidade, na direção conjuntamente estabelecida.  Se distinguirmos as etapas do que está contido no esforço de planejamento, devemos pensar que se seguirá uma fase de execução e, logo, de avaliação, embora seja mais eficiente pensar o planejar como um processo de três faces, completamente interligadas e concomitantes, embora com momentos fortes para cada uma delas: avaliação, execução, elaboração.

A participação é, contudo, hoje, um conceito que serve a três desastres extremamente graves: a manipulação das pessoas pelas “autoridades”, através de um simulacro de participação; a utilização de metodologias inadequadas, com o conseqüente desgaste da idéia; a falta de compreensão abrangente da idéia de participação.

O Planejamento Participativo incorpora a visão estratégica e situacional. Por entender a idéia de MISSÃO de forma mais abrangente e situada no contexto da globalidade social com a perspectiva não apenas de ajudá-las a sobreviver, mas a intervir na realidade estrutural da sociedade, oferece às instituições, grupos, movimentos e organismos governamentais uma ferramenta que incorpora as conquistas do planejamento na perspectiva situacional e estratégica.

Destes esforços firmam-se as três tendências (linhas, correntes) que já despontavam, mas que não tinham estrutura técnica e base científica suficientemente desenvolvidas:
Gerenciamento de Qualidade Total, Planejamento Estratégico, Planejamento Participativo.

Cada uma delas incorpora as três idéias que são fundamentais no planejamento de nosso tempo: participação, qualidade e missão; estas três idéias crescem e se consolidam de tal modo que ninguém pode falar em processos técnicos de planejamento sem incluí-las; mas cada uma das três linhas entende cada uma destas idéias de modo diferente, coloca-as em hierarquias que não se equivalem e relaciona-as entre si e com os elementos técnicos de uma maneira bastante distinta.

Com isto a visão estratégica (naturalmente situada) torna-se imprescindível. Fiéis às suas origens, as correntes utilizam a idéia para as necessidades às quais querem atender. Assim, o Planejamento Participativo assume uma visão estratégica que não está direcionada apenas a “como empresas vencedoras dominam seus concorrentes”, conforme o subtítulo do livro de Robert (1998). Ela avança para questões mais amplas e complexas, como a de ver como se contribui para interferir na realidade social, para transformá-la e para construí-la numa direção estabelecida em conjunto, num pé de igualdade fundamental, mas com a contribuição própria de cada um, por todos os que
participam da instituição, grupo ou movimento ou, mesmo, de uma cidade, de um estado e de uma nação. 

As ferramentas que gravitam ao redor do Gerenciamento da Qualidade Total assumem com toda a força a idéia de que a finalidade do planejamento é satisfazer o cliente; para o Planejamento Estratégico (alguns preferem “Administração Estratégica”), o propósito último é firmar-se no mercado, melhor, produzir ambiente de lucro futuro e, portanto, de permanência; o Planejamento Participativo quer contribuir para a transformação da sociedade na linha da justiça social, no sentido de que todos participem das decisões, mas, sobretudo, dos bens materiais e não materiais encontrados na natureza ou produzidos pelas pessoas humanas.

Para o Gerenciamento da Qualidade Total, planejar é solucionar os problemas que aparecerem – os conceitos centrais são os de problema e de satisfação do cliente; o Planejamento Estratégico quer analisar oportunidades, descobrir pontos fracos e pontos fortes e compatibilizar tudo conforme os objetivos da empresa – os conceitos básicos são os de missão, de visão estratégica, de oportunidade e de ameaça; no Planejamento Participativo, planejar é desenvolver um processo técnico para contribuir num projeto político – tem como conceitos distintivos o de marco referencial e o de necessidade.


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