Texto 1 - De acordo com o
construtivismo piagetiano, a aprendizagem é construída gradativamente, por
etapas, impulsionada por desequilíbrios externos que gera uma busca de
estabilização, uma solução para um desafio que resulta da relação entre saberes
já construídos.
Teoria Interacionista
Construtivista de Vygotsky, defende o
desenvolvimento das funções mentais superiores como o resultado de uma
construção histórico-social do homem em função de sua interação com o meio, com
o mundo físico e social.
Para explicar e compreender
as dimensões da vida humana é necessário as contribuições da Psicologia, da
Biologia, da sociologia, da antropologia, da lingüística.
Texto 3 - O conceito de
criança foi se delineando nos séculos XVlll e XlX para atender uma necessidade
social de compreender e nomear os aspectos próprios expressos num determinado
período da vida das crianças.
Popularmente, se diz que
crianças ou adultos muito felizes e que distribuem sorrisos fartos se comportam
tal qual “pintos no lixo”, associando a felicidade e prazer à situação de
exuberância, de sobra de fartura.
O conceito de criança passou
a existir somente quando foi possível dissociar a criança da imagem e
semelhança do adulto e, consequentemente desatrelá-la dos conhecimentos
organizados acerca do mundo adulto.
Texto 4 - Os diferentes
núcleos familiares dos quais as crianças fazem parte, hoje são chamados
respeitosamente de “arranjos familiares”.
Artigo 7º da Convenção dos
direitos da Criança diz que “a criança será registrada logo após o nascimento e
terá direito, desde o momento em que nasce, a um nome a uma nacionalidade e, na
medida do possível, a conhecer seus pais e a ser cuidada por eles”. No Brasil
esse direito está assegurado também pelo ECA.
Lei nº 10.172/2001, que
aprovou o Plano Nacional de Educação. O PNE transformou em meta nacional os
nove anos de escolaridade, incluindo as crianças a partir dos seis anos de
idade. Esta meta passou a ser exigida legalmente em fevereiro de 2006, por meio
da Lei nº 11.274/2006.
A Secretaria de Educação
Básica contempla em sua primeira etapa, a Educação Infantil, em creches,
destinadas as crianças de três meses a três anos e onze meses de idade, e a
pré-escola para crianças de quatro e cinco anos.
Criança não é adulto em
miniatura e nem esperam vir a ser, por que já são desde o nascimento, pessoas
únicas.
Texto 5 - A LDBN em vigor,
no Titulo lll, que se refere ao Direito a Educação e ao Dever de Educar, diz:
Art.4º - O dever do Estado
com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de:
l – ensino fundamental,
obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade
própria;
ll – progressiva extensão da
obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio;
lll – atendimento
educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais,
preferencialmente na rede regular de ensino;
lV – atendimento gratuito em
creches e pré-escolas às crianças de zero a cinco anos de idade.
Titulo V, Capítulo ll da
LDBN, refere à Educação Básica, define os níveis e modalidades de Educação e
Ensino e, no Art. 21, o texto diz que a educação escolar compõe-se de:
l - educação básica, formada pela educação
infantil, ensino fundamental e ensino médio.
ll – educação superior.
Texto complementar 1 - Você
tem cultura – Roberto da Matta - Todas as formas culturais ou todas as
"subculturas" de uma sociedade são equivalentes e, em geral,
aprofundam algum aspecto importante que não pode ser esgotado completamente por
outra "subcultura". Quer dizer, existem gêneros de cultura que são
equivalentes a diferentes modos de sentir, celebrar, pensar e atuar sobre o
mundo e esses gêneros podem estar associados a certos segmentos sociais. O problema é que sempre que nos aproximamos
de alguma forma de comportamento e de pensamento diferente, tendemos a
classificar a diferença hierarquicamente, o que é uma forma de excluí-la.
Texto 2 e 3 – Infância e
Cultura – Carina Lopes - Entendemos como produção cultural para a criança os
filmes, as músicas, os brinquedos, os livros, as revistas, peças de teatro,
propagandas, os programas de televisão etc. E essa produção cultural está
entranhada da experiência da nossa época. Assim, é importante levarmos em
consideração a influência da tecnologia nessa produção cultural para a infância.
Desenvolvimento integral
quer dizer que é preciso favorecer para que a criança se desenvolva:
- Afetivamente nas relações
com as outras pessoas, familiares, professores e colegas da creche, pré-escola
ou escola de Educação Infantil que freqüenta.
- Cognitivamente, construindo conhecimentos,
aumentando seu vocabulário com conversas, histórias ouvidas e contadas,
contando casos, relatando situações.
- Socialmente, freqüentando,
além da instituição de Educação Infantil, praças, clubes, festas populares,
espaços religiosos, tendo acesso a casas de cultura, como cinemas, teatros,
bibliotecas, centros culturais, brincando com vizinhos, ouvindo músicas
variadas.
- Psicologicamente, sendo
atendida nas suas necessidades básicas, como higiene, alimentação, sono, mas
também sendo ouvida, acariciada e respeitada como sujeito de direitos, sem que
se esqueçam de que ela é sujeito de pouca idade, que ainda não pode assumir
determinadas responsabilidades, afazeres, cargos.
A criança pensa o mundo a
partir das suas interações com a sociedade. Dessa forma, a criança vai
aprendendo a respeitar o mundo que a cerca, vai conhecendo seus valores, sua
cultura. Os valores sociais são, em última instância, fruto de todas as
experiências que a criança vai tendo, aprendizados e significados culturais que
a circulam ao longo de sua vida.
Conceitos de cultura:
- “As teias de significados
tecidas pelo homem ao longo de sua existência. Tudo o que envolve o homem e que
é adquirido e significado por ele ao longo de sua vida a partir da relação com
a sociedade”.
- “Um complexo que inclui
conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra
capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”.
- “Um processo social
constitutivo, que cria modos de vida distintos e específicos”.
- “Cultura é um sistema de
símbolos e significados. Compreende categorias ou unidades e regras sobre
relações e modos de comportamento”.
A cultura é tudo que está ao
redor do homem, tudo o que ele vê, ouve, compreende ao longo de sua vida, tudo
o que ele aprende a conhecer por intermédio da sua relação com outros homens e,
em grande parte, aquilo que o constitui.
Vygotsky fala da atividade
humana como um ato criador. E a criação se torna possível principalmente porque
o homem é um ser de linguagem, e a linguagem é fundamental na constituição da
consciência e do próprio homem. Através da linguagem, nos constituímos como
seres humanos, participantes da cultura na qual estamos inseridos.
- A cultura de cada grupo
social - as tradições culturais, os costumes, os valores dos diferentes grupos,
suas trajetórias, suas experiências, seu saber, seus modos de educação, seu
acervo de produções e artefatos culturais. Nisto está implicada a pluralidade
que se manifesta na dança e na música, na produção de objetos, nos brinquedos e
brincadeiras, nas comemorações civis ou religiosas, nos modos de cuidar das
crianças, da terra, dos alimentos, das vestimentas, nos acervos, nas
construções, etc.
- O acervo cultural da
humanidade – a produção cultural que se encontra disponível na literatura, no
cinema, na música, na fotografia, na pintura, na escultura, na poesia, na
arquitetura, etc.
Pensar a Cultura como espaço
de significação e ressignificação de valores, crenças, daquilo que produzimos e
daquilo que nos produz, da possibilidade de repensar o lugar da cultura e o
lugar de cada um de nós.
É importante conhecermos a
variedade cultural para aprendermos a respeitar as diferenças e, do mesmo modo,
sermos respeitados.
“O que significa a palavra
cultura, quando se fala da função de transmissão cultural da educação?
Essencialmente, um patrimônio de conhecimentos e competências, de instituições,
de valores e de símbolos, constituído ao longo de gerações e característico de
uma comunidade humana particular, definida de modo mais ou menos amplo e mais
ou menos exclusivo, sendo obra coletiva e bem coletivo.” (FORQUIN, 1993. p.
12.).
Pouco mais da metade do
século XX, a família, a comunidade e a escola eram as principais instâncias que
marcavam o processo de educação e construção da subjetividade das crianças,
hoje parece que a cultura de mídia – a televisão, as revistas, o rádio, o
computador – está tomando o lugar dessas instituições tradicionais,
influenciando significativamente a forma das crianças e jovens perceberem,
interagirem e intervirem no mundo.
Vimos nesta unidade à
importância da cultura para o trabalho da Educação Infantil.
Destacamos algumas questões
importantes:
- A criança pensa o mundo a
partir das suas interações com a sociedade. Essa sociedade oferece uma série de
oportunidades para que ela se desenvolva, conheça, observe, participe. Dessa
forma, a criança vai aprendendo a respeito do mundo que a cerca, vai conhecendo
seus valores, sua cultura.
- Os valores sociais são em
última instância, o armazenamento de todas as coisas que a criança vê, aprende
e significa ao longo de sua vida. Coisas que podem ser oferecidas nas creches,
pré-escolas e escolas, mas que a criança recebe, também, na família e no seu
meio social, antes mesmo de entrar para a instituição de Educação Infantil.
- Pode ser chamado de cultura aquilo que está ao redor do homem,
tudo o que ele viu, ouviu, compreendeu ao longo de sua vida, tudo o que ele
aprendeu a conhecer por intermédio da sua relação com outros homens e, em grande
parte, aquilo que o constitui. Enfim, tudo o que diz respeito aos seres humanos
e suas interações, ou seja, a vida em sociedade.
- No conceito de cultura
estão implicados os significados que o homem produz a partir das relações que
ele estabelece na sua vida em sociedade. Vygotsky fala da atividade humana como
um ato criador. E a criação se torna possível principalmente por ser o homem um
ser de linguagem, pois a linguagem é fundamental na constituição da consciência
e do próprio homem.
- As crianças, mesmo em
diferentes culturas, têm a capacidade de recriar e significar o mundo ao seu
redor a partir do seu poder de imaginação e fantasia, pela capacidade de criar
um mundo a partir do seu próprio modo de ver a realidade. Por isso, é
fundamental ter um olhar para a criança a partir do modo como a ela própria vê
e significa o mundo.
- A cultura de um povo é
também representada no patrimônio cultural espalhado pelas ruas, pelo bairro,
pela cidade e que, muitas vezes, não conhecemos, não damos importância, não
sabemos que existe. Resgatar a história desses lugares, prédios, ruas,
costumes, tipos, construções é também produzir cultura. E, também, a
recuperação da memória coletiva proporciona o resgate da auto estima da própria
comunidade.
Texto 4 - A reinvenção da
infância: apontamentos sobre a infância na contemporaneidade 1 - Tânia Ramos
Fortuna
Em busca da compreensão da
infância: Durante o qual se acreditou que as crianças eram reflexo dos adultos,
em versão miniatura, mais dissociadas deles. Percebidas, na melhor das
hipóteses, como seres incompletos, imperfeitos, seu valor não se definia pelo
que eram no presente, mas pelo que viriam a ser.
A criança como categoria
social tem um surgimento recente, situado entre os séculos XIII e XVII, e a
descoberta e difusão deste fato é devida a Ariès (1978), um pesquisador
destacado no estudo sobre a criança e seu passado. Graças a este historiador
aprendemos que não existe natureza infantil e, sim, um sentimento de infância
que é produto de uma laboriosa construção social, variando conforme o grupo
social que o experimenta. A infância é, pois, uma criação da sociedade sujeita
a mudar sempre que surgem transformações sociais mais amplas, o que põe em
evidência a importância do mundo social na conformação do sujeito.
No que diz respeito à
constituição da subjetividade infantil, os brinquedos são parte importante
deste processo, sendo tão afetados pelas mudanças contemporâneas como o são os
adultos e as crianças.
As relações entre os adultos
e crianças podem ser descritas como uma forma de interação, na qual os pequenos
têm cultura própria ou sucessão delas (Heywood, 2004, p. 13). Isto pode ser
resumido, de forma poética, nas palavras de Morin: “os outros moram em nós; nós
moramos nos outros...” (2002, p. 95).
A sobrevivência humana – o
futuro do homem – depende, então, do cuidado que os adultos dedicam às
crianças. Com efeito, o futuro do homem está implicado no futuro da infância.
Texto 7 - A brincadeira como
experiência de cultura - Ângela Meyer Borba
O brincar abre para a
criança múltiplas janelas de interpretação, compreensão e ação sobre a
realidade. Ao brincar, a criança não apenas expressa e comunica suas
experiências, mas as reelabora, reconhecendo-se como sujeito pertencente a um
grupo social e a um contexto cultural, aprendendo sobre si mesma e sobre os
homens e suas relações no mundo, e também sobre os significados culturais do
meio em que está inserida.
O brincar é, portanto,
experiência de cultura, por meio da qual valores, habilidades, conhecimentos e
formas de participação social são constituídos e reinventados pela ação
coletiva das crianças.
A brincadeira é em si mesma
um fenômeno da cultura, uma vez que se configura como um conjunto de práticas,
conhecimentos e artefatos construídos e acumulados pelos sujeitos nos contextos
históricos e sociais em que se inserem.
Além disso, o brincar é um
dos pilares da constituição das culturas da infância, compreendidas como
significações e formas de ação social específica que estruturam as relações das
crianças entre si, bem como os modos pelos quais interpretam, representam e
agem sobre o mundo (BORBA, 2006). Essas duas perspectivas configuram o brincar
ao mesmo tempo como produto e prática cultural.
Ao brincar, as crianças vão
também se constituindo como agentes de sua experiência social, organizando com
autonomia suas ações e interações, elaborando planos e formas de ações
conjuntas, criando regras de convivência social e de participação nas
brincadeiras.
Muitos processos de
desenvolvimento e aprendizagem da criança ocorrem e são provocados nas e pelas
atividades de brincadeira.
Para Vygotsky, o brincar é
fonte de desenvolvimento e de aprendizagem, constituindo uma atividade que
impulsiona o desenvolvimento, pois a criança se comporta de forma mais avançada
do que na vida cotidiana, exercendo papéis e desenvolvendo ações que mobilizam
novos conhecimentos, habilidades e processos de desenvolvimento e de
aprendizagem.
O brincar é compreendido
pelo autor como uma atividade construída pela criança nas interações que
estabelece com outros sujeitos e com os significados culturais do seu meio. Ou
seja, a criança aprende a brincar com a mãe, avó, o pai, avô, os irmãos,
primos, educadores, enfim, com crianças e adultos em geral com os quais
estabelece interações que assumem a dimensão lúdica da brincadeira.
A variedade e a riqueza de
experiências lúdicas é um elemento fundamental para que a criança possa
apoderar-se de forma criativa da cultura em que se insere.
Outro aspecto constitutivo
do brincar e que tem importância fundamental na formação dos sujeitos é o
processo de imaginação (VYGOTSKY, 1987).
O conhecimento do espaço do
brincar ajuda-nos também a encorajar as crianças a participar das brincadeiras,
inseri-las nos grupos, ajudá-las a construir os conhecimentos necessários a
essa participação e a estabelecer relações democráticas entre pares.
Texto 9 – O TRABALHO DE
EDUCAÇÃO INFANTIL1 - Léa Tiriba
Como direito de cidadania, é
importante destacar que, a partir da Constituição de 1988, a educação infantil
passa a ser um direito das crianças e não dos filhos de mães trabalhadoras. Com
a nova LDB, a educação infantil é incorporada aos sistemas de ensino e assumida
como primeira etapa da educação básica. Assim, não há mais espaço legal para
propostas de atendimento que não tenham como referência fundamental os
interesses, os desejos, as necessidades das crianças.
Para isto vai ser necessário
superar uma concepção de infância em que a criança é sentida e tratada como
sujeito passivo, e assumi-la como sujeito ativo, que se estrutura a partir/nas
condições sociais objetivas e interfere na realidade produzindo cultura,
fazendo história.
O compromisso da escola e de
seus educadores é com o presente, é com o seu poder de imaginar, criar,
fantasiar, é com o que faz, sente e aprende hoje.
Embora se constitua como
direito da criança e obrigação do estado, a educação infantil não é
obrigatória. O que a lei afirma é a responsabilidade do poder público no
sentido de democratizar o acesso da população às creches e pré-escolas de
qualidade e não tem objetivo de promoção, nem mesmo para o acesso ao ensino
fundamental (art. 31).
Em seu artigo de número 29,
LDB, afirma a educação infantil como complementar a ação da família e da
comunidade. Esta definição nos põe frente ao desafio de ampliarmos as relações
da escola com o mundo exterior, com a sociedade. Uma via de mão dupla, em que a
escola aprende e ensina com a comunidade.
O papel do professor é
oferecer o espaço, o tempo e os materiais necessários para que as crianças
continuem pesquisando, criando e aprofundando seus conhecimentos a respeito das
questões pelas quais já estavam interessadas.
“(...) não cabe definir a
priori os projetos ou os temas geradores: é o “movimento” do grupo, resultante
de seus interesses e pesquisas sobre a realidade, que indica os caminhos a
seguir, integrando as áreas de conhecimento, os conteúdos e as atividades.
(...) é a interação entre os membros do grupo e destes com a realidade mais
ampla que indica ao professor os temas de trabalho. E não apenas os temas, mas
também os conteúdos a serem trabalhados poderão ser indicados pelas atividades
espontâneas das crianças”. (SESC, 1998)
A organização do espaço - em
especial o dos equipamentos onde as crianças permanecem em horário integral -
deve ser orientada também pelo objetivo de educação integral. Assim, sol, água,
terra, ar puro são elementos/condições que devem estar sempre presentes,
constituindo-se como chão, como pano de fundo ou como matéria prima para a
maior parte das atividades cotidianas.
Além disto, instituir - como
novos espaços de aprendizagem - cozinhas, hortas, marcenarias e oficinas de
costura – locais onde, além de plantar, costurar e confeccionar brinquedos e
objetos se aprende também matemática, ciências, língua portuguesa...
É importante ainda
acrescentar que uma proposta educativo-pedagógica que se proponha a cumprir a
lei, isto é, que abrace integralmente as crianças em suas necessidades, deve
assegurar um planejamento de trabalho que humanize os processos de adaptação,
considerando-os como permanentes; um planejamento que reconstrua os rituais de
alimentação, de sono e de controle de esfíncteres de tal forma que as crianças
sejam respeitadas, antes de qualquer coisa, como sujeitos de seu próprio corpo,
de seu ritmo biológico. E, finalmente, que reavalie e reconstrua
permanentemente as rotinas, as regras sociais que as determinam, e que devem
ser coerentes com as necessidades dos usuários.
Texto - RESOLUÇÃO Nº 5, DE
17 DE DEZEMBRO DE 2009 (*)
Fixa as Diretrizes
Curriculares Nacionais para a Educação Infantil
Art. 3º O currículo da
Educação Infantil é concebido como um conjunto de práticas que buscam articular
as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte
do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, de modo
a promover o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 5 anos de idade.
Art. 4º As propostas
pedagógicas da Educação Infantil deverão considerar que a criança, centro do
planejamento curricular, é sujeito histórico e de direitos que, nas interações,
relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e
coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta,
narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo
cultura.
Art. 5º - § 2° É obrigatória
a matrícula na Educação Infantil de crianças que completam 4 ou 5 anos até o
dia 31 de março do ano em que ocorrer a matrícula. ???
§ 3º As crianças que
completam 6 anos após o dia 31 de março devem ser matriculadas na Educação
Infantil.
Texto 13 - AS MANIFESTAÇÕES
INFANTIS E AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
Daniela Guimarães
Ao mesmo tempo em que é
escutada, a criança vai incorporando o desafio de escutar, considerar a presença
e a idéia do outro, compreendendo a diversidade como riqueza.
Numa prática dialógica,
confirma-se o lugar ativo e interativo da criança, a importância da sua palavra
e da sua presença. Ela pode sentir-se autora e protagonista dos projetos
cotidianos, junto com o professor e todos os envolvidos.
Diálogo implica em réplica,
valorização da diversidade, cotejo de diferentes perspectivas. É nessa dimensão
que se coloca o planejamento do professor e a sistematização das rotinas. Ou
seja, é importante que o planejamento das práticas possa nascer da observação
das manifestações infantis.
Tanto a fala, como o
movimento, a brincadeira, a construção, a modelagem são formas de interlocução
da criança com o mundo no qual ela está mergulhada, nas quais ela constrói sentidos
próprios para a realidade. Ao mesmo tempo em que dela se apropria, a criança
pode recriá-la em suas ações, colocando em jogo a faculdade imaginativa.
Então, destaca-se no cenário
educacional o lugar das múltiplas linguagens das crianças como expressões de
seus afetos, idéias e emoções. Indo além, as práticas precisam abrir-se para o
diálogo da criança com o mundo. Movimentar-se, subir, descer, correr, suar,
cantar, desenhar, pintar, dançar são experiências mergulhadas no movimento de
construção de sentidos possíveis sobre o entorno. É importante abrir e fomentar
com a criança essa possibilidade de re-criação da nossa realidade.
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